Deixar o domínio disponível escolher o nome custa caro depois
Registrar um .com.br custa R$40 por ano. Escolher o nome da empresa pelo que sobrou no registro custa por toda a vida do negócio.
Neste artigo

O roteiro é quase sempre igual. A pessoa lista dez nomes bons, testa um por um no registro, todos ocupados, e acaba ficando com o décimo primeiro: uma palavra sem sentido, com letra trocada, ou com um sufixo colado no fim.
O nome do negócio foi decidido por ordem de chegada de terceiros. Não por estratégia, não por significado, por disponibilidade.
O erro de tratar domínio como restrição inegociável
Um domínio .com.br no Registro.br custa R$40 por ano. É o item mais barato de qualquer negócio, e mesmo assim é o que costuma decidir a marca inteira.
Do outro lado da mesma moeda: em 2019 o domínio voice.com foi vendido por US$30 milhões, o maior valor já divulgado publicamente para um endereço na internet, superando os US$13 milhões pagos anos antes por sex.com. Ou seja, o mercado sabe que endereço tem valor. Só que esse valor deriva da palavra, não o contrário.
Quem escolhe a palavra por causa do endereço inverte a ordem. Paga R$40 por ano e assume um custo permanente do outro lado.
Onde o custo aparece
Na soletração. Se o cliente precisa perguntar como escreve, você acabou de criar uma fricção que se repete em toda ligação, todo cartão, todo indicação boca a boca. Nome que não sobrevive ao telefone custa venda todo mês.
Na busca. Nome inventado ou com grafia torta faz o Google mandar a pessoa pra outro lugar. Você passa a pagar mídia pra ser encontrado pelo próprio nome, que é o tipo de gasto mais absurdo que existe.
Na propriedade. Registrar domínio não dá direito de marca. Domínio é aluguel de endereço, marca é registro no INPI, por classe de atividade, com exame que leva mais de um ano. Dá pra ter o domínio e mesmo assim ser obrigado a parar de usar o nome porque alguém registrou a marca antes na sua classe. Essa conta chega depois de você já ter fachada, embalagem e reputação no nome.
Na troca. Trocar de nome depois de três anos de operação significa refazer material, perder o histórico de busca acumulado, reconstruir reconhecimento e explicar a mudança pra base inteira. É a operação mais cara que existe em marca, e quase sempre começa numa escolha feita em quinze minutos.
O que decide um nome bom
Nome não precisa explicar o que a empresa faz. Precisa dar trabalho de esquecer.
- →Soletrável ao telefone: , sem precisar de "com dois esses" ou "com y no lugar do i".
- →Distinto na categoria: Se ele se confunde com dois concorrentes, você vai gastar anos pagando pra ser diferenciado.
- →Registrável: Antes de se apaixonar, procure na base do INPI a classe onde você atua. Isso é gratuito e leva minutos.
- →Com espaço pra crescer: Nome que amarra você a um produto, uma cidade ou uma tecnologia vira camisa de força quando o negócio muda. É o mesmo problema de quem fica conhecido por um produto só.
- →Confortável na boca do cliente: O nome que vale é o que a pessoa usa pra te indicar pra outra, não o que está na razão social.
A ordem certa
Escolha a palavra primeiro, resolvendo os quatro pontos acima. Só depois vá atrás do endereço. Se o .com.br exato estiver ocupado, existem saídas que custam menos que trocar a estratégia:
- →prefixo ou sufixo curto ligado à categoria ou à cidade;
- →variação com o sobrenome ou com a palavra que o cliente já usa pra te chamar;
- →outra extensão, quando ela não confunde o público;
- →comprar do titular atual, que muitas vezes é mais barato do que parece, sobretudo em domínio parado.
Nenhuma dessas saídas é perfeita. Todas são melhores que deixar sua marca ser definida por quem registrou um endereço antes de você, por R$40.
Perguntas frequentes
Registrar o domínio garante o direito sobre o nome?
Não. Domínio é o endereço na internet, renovado anualmente. Direito de marca vem do registro no INPI, por classe de atividade, e é ele que permite impedir o uso por terceiros.
Quanto custa um domínio .com.br?
No Registro.br o valor é de R$40 por ano, com possibilidade de pagamento antecipado por vários anos. É um dos itens mais baratos de qualquer negócio.
O que fazer quando o domínio ideal está ocupado?
Usar prefixo ou sufixo curto, variação com sobrenome ou com o apelido que o cliente já usa, outra extensão que não confunda, ou negociar a compra com o titular atual.
Vale a pena trocar o nome da empresa depois de anos?
É a operação mais cara em marca, porque exige refazer material, reconstruir reconhecimento e perder histórico acumulado. Só compensa quando o nome atual impede o crescimento ou gera risco jurídico.
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Escrito por Pedro Cardoso, fundador do FAMOSO.®, estúdio de branding em Porto Alegre.
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