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22/07/20264 min de leitura

Ronaldinho: 11 anos sem jogar, marca de R$600mi

21 anos depois da Bola de Ouro, Ronaldinho lança marca de moda e vira palestrante de evento de varejo. O produto que sustentava a marca sumiu, o preço não.

Neste artigo
  1. O produto sumiu, a marca ficou
  2. Por que a marca de moda precisa de selo holográfico
  3. O que isso ensina sobre preço
  4. O que fica pra quem não é jogador de futebol
  5. Perguntas frequentes
Ronaldinho Gaúcho de costas, com a camisa 10 do Barcelona, entrando em campo em um estádio vazio
Foto: divulgação FC Barcelona.

Ronaldinho Gaúcho jogou sua última partida profissional em setembro de 2015, pelo Fluminense. O anúncio formal de aposentadoria só veio em 2018. Faz 11 anos que ele não entra em campo pagando pra jogar bem. Faz 21 anos que ganhou a Bola de Ouro, em 2005, o ano que a maioria das pessoas ainda associa ao nome dele.

Em julho de 2026, lançou a Use Ronaldinho, marca própria de roupas em parceria com a Momentus Fashion Company. Em setembro, sobe ao palco do iFood Move, evento que reúne 12 mil empresários de restaurante, varejo e conveniência, pra falar sobre construção de legado. Também é acionista de clube que mira a MLS e sócio de gravadora sediada em Miami. O patrimônio estimado em 2026 gira entre R$580 e R$600 milhões.

Nenhuma dessas atividades depende de ele jogar futebol. E é exatamente esse o ponto.

O produto sumiu, a marca ficou

O caso Ronaldinho é o experimento mais limpo que existe sobre um princípio que parece abstrato até você ver o número: existe uma diferença entre o produto que cria a percepção e a percepção em si, e depois de um tempo elas se separam. O drible, o gol de calcanhar, a Bola de Ouro, esse era o produto. Ele durou uma década de carreira de elite. A percepção de "gênio criativo e alegre" sobreviveu ao produto por mais de duas décadas e agora está sendo vendida pra categorias que não têm nada a ver com bola: moda, palestra corporativa, música, investimento esportivo nos Estados Unidos.

Quem paga pra ele falar num evento de iFood não está comprando acesso a um jogador em atividade. Está comprando o direito de associar a marca da própria empresa a uma percepção que Ronaldinho construiu há 20 anos e nunca deixou de manter viva.

Por que a marca de moda precisa de selo holográfico

A Use Ronaldinho não é linha licenciada com o nome estampado, é apresentada como marca assinada, com aplicação do logo oficial, etiquetas personalizadas e selos holográficos pensados especificamente pra reforçar autenticidade e exclusividade.

Esse é o dado de design que mostra o mecanismo funcionando. Quanto mais distante no tempo fica a prova original de talento, o gol visto ao vivo, o drible que todo mundo comentou no dia seguinte, mais a marca precisa de dispositivo visual fazendo esse trabalho de prova no lugar da lembrança. Selo holográfico, tag numerada, aplicação de logo específica: tudo isso é sinal de autenticidade fabricado pra substituir o que antes era comprovado sozinho, ao vivo, em campo. Design não está decorando a camiseta, está segurando a credibilidade que o tempo já começou a apagar.

O que isso ensina sobre preço

Uma marca pessoal ou empresarial que só vale enquanto o produto original está em evidência é frágil. A marca que vale independente do produto original, porque a percepção que ele gerou foi bem administrada, essa vira ativo que se vende em categoria nenhuma relacionada à origem. Ronaldinho não vende mais futebol. Vende a lembrança do que o futebol dele representava, embalada em roupa, palco e cota de sociedade.

O que fica pra quem não é jogador de futebol

A maioria dos negócios trata a percepção como sombra automática do produto: "se o produto é bom, a marca cuida de si mesma". O caso Ronaldinho prova o contrário. A percepção precisa ser administrada de forma ativa, com dispositivo visual e presença consistente, porque sem isso ela evapora no mesmo ritmo que a lembrança do produto original.

É o tipo de lacuna que o diagnóstico de marca do FAMOSO.® existe pra mapear: descobrir o que realmente sustenta a percepção de um negócio hoje, que pode já não ser o que sustentava há cinco anos, antes de decidir preço ou posicionamento em cima de uma base que já mudou sem avisar.

Ronaldinho não parou de vender. Só trocou o produto que sustenta a venda, do drible pro selo holográfico. A marca sobreviveu porque alguém cuidou dela ativamente enquanto o futebol ficava pra trás.

Perguntas frequentes

Quando Ronaldinho Gaúcho se aposentou do futebol?

Sua última partida profissional foi em setembro de 2015, pelo Fluminense. O anúncio formal de aposentadoria veio em 2018.

O que é a Use Ronaldinho?

É a marca própria de roupas lançada por Ronaldinho Gaúcho em julho de 2026, em parceria com a Momentus Fashion Company, com aplicação de logo oficial, etiquetas personalizadas e selos holográficos.

Qual o patrimônio de Ronaldinho Gaúcho em 2026?

Estimado entre R$580 e R$600 milhões, distribuído entre imóveis, aplicações financeiras e participações em negócios como moda, música e um clube que mira a MLS.

Por que Ronaldinho ainda consegue cobrar caro sem jogar futebol?

Porque a percepção de marca que ele construiu na carreira, associada a criatividade e alegria, foi mantida ativa ao longo de duas décadas e hoje é vendida em categorias sem relação direta com futebol, como moda e palestra corporativa.

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Escrito por Pedro Cardoso, fundador do FAMOSO.®, estúdio de branding em Porto Alegre.

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