Ronaldinho: 11 anos sem jogar, marca de R$600mi
21 anos depois da Bola de Ouro, Ronaldinho lança marca de moda e vira palestrante de evento de varejo. O produto que sustentava a marca sumiu, o preço não.
Neste artigo

Ronaldinho Gaúcho jogou sua última partida profissional em setembro de 2015, pelo Fluminense. O anúncio formal de aposentadoria só veio em 2018. Faz 11 anos que ele não entra em campo pagando pra jogar bem. Faz 21 anos que ganhou a Bola de Ouro, em 2005, o ano que a maioria das pessoas ainda associa ao nome dele.
Em julho de 2026, lançou a Use Ronaldinho, marca própria de roupas em parceria com a Momentus Fashion Company. Em setembro, sobe ao palco do iFood Move, evento que reúne 12 mil empresários de restaurante, varejo e conveniência, pra falar sobre construção de legado. Também é acionista de clube que mira a MLS e sócio de gravadora sediada em Miami. O patrimônio estimado em 2026 gira entre R$580 e R$600 milhões.
Nenhuma dessas atividades depende de ele jogar futebol. E é exatamente esse o ponto.
O produto sumiu, a marca ficou
O caso Ronaldinho é o experimento mais limpo que existe sobre um princípio que parece abstrato até você ver o número: existe uma diferença entre o produto que cria a percepção e a percepção em si, e depois de um tempo elas se separam. O drible, o gol de calcanhar, a Bola de Ouro, esse era o produto. Ele durou uma década de carreira de elite. A percepção de "gênio criativo e alegre" sobreviveu ao produto por mais de duas décadas e agora está sendo vendida pra categorias que não têm nada a ver com bola: moda, palestra corporativa, música, investimento esportivo nos Estados Unidos.
Quem paga pra ele falar num evento de iFood não está comprando acesso a um jogador em atividade. Está comprando o direito de associar a marca da própria empresa a uma percepção que Ronaldinho construiu há 20 anos e nunca deixou de manter viva.
Por que a marca de moda precisa de selo holográfico
A Use Ronaldinho não é linha licenciada com o nome estampado, é apresentada como marca assinada, com aplicação do logo oficial, etiquetas personalizadas e selos holográficos pensados especificamente pra reforçar autenticidade e exclusividade.
Esse é o dado de design que mostra o mecanismo funcionando. Quanto mais distante no tempo fica a prova original de talento, o gol visto ao vivo, o drible que todo mundo comentou no dia seguinte, mais a marca precisa de dispositivo visual fazendo esse trabalho de prova no lugar da lembrança. Selo holográfico, tag numerada, aplicação de logo específica: tudo isso é sinal de autenticidade fabricado pra substituir o que antes era comprovado sozinho, ao vivo, em campo. Design não está decorando a camiseta, está segurando a credibilidade que o tempo já começou a apagar.
O que isso ensina sobre preço
Uma marca pessoal ou empresarial que só vale enquanto o produto original está em evidência é frágil. A marca que vale independente do produto original, porque a percepção que ele gerou foi bem administrada, essa vira ativo que se vende em categoria nenhuma relacionada à origem. Ronaldinho não vende mais futebol. Vende a lembrança do que o futebol dele representava, embalada em roupa, palco e cota de sociedade.
O que fica pra quem não é jogador de futebol
A maioria dos negócios trata a percepção como sombra automática do produto: "se o produto é bom, a marca cuida de si mesma". O caso Ronaldinho prova o contrário. A percepção precisa ser administrada de forma ativa, com dispositivo visual e presença consistente, porque sem isso ela evapora no mesmo ritmo que a lembrança do produto original.
É o tipo de lacuna que o diagnóstico de marca do FAMOSO.® existe pra mapear: descobrir o que realmente sustenta a percepção de um negócio hoje, que pode já não ser o que sustentava há cinco anos, antes de decidir preço ou posicionamento em cima de uma base que já mudou sem avisar.
Ronaldinho não parou de vender. Só trocou o produto que sustenta a venda, do drible pro selo holográfico. A marca sobreviveu porque alguém cuidou dela ativamente enquanto o futebol ficava pra trás.
Perguntas frequentes
Quando Ronaldinho Gaúcho se aposentou do futebol?
Sua última partida profissional foi em setembro de 2015, pelo Fluminense. O anúncio formal de aposentadoria veio em 2018.
O que é a Use Ronaldinho?
É a marca própria de roupas lançada por Ronaldinho Gaúcho em julho de 2026, em parceria com a Momentus Fashion Company, com aplicação de logo oficial, etiquetas personalizadas e selos holográficos.
Qual o patrimônio de Ronaldinho Gaúcho em 2026?
Estimado entre R$580 e R$600 milhões, distribuído entre imóveis, aplicações financeiras e participações em negócios como moda, música e um clube que mira a MLS.
Por que Ronaldinho ainda consegue cobrar caro sem jogar futebol?
Porque a percepção de marca que ele construiu na carreira, associada a criatividade e alegria, foi mantida ativa ao longo de duas décadas e hoje é vendida em categorias sem relação direta com futebol, como moda e palestra corporativa.
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Escrito por Pedro Cardoso, fundador do FAMOSO.®, estúdio de branding em Porto Alegre.
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