Posicionamento de marca: 5 exemplos reais e o que eles ensinam sobre percepção
Posicionamento não é teoria. É a percepção que a marca instala antes de qualquer conversa. Veja 5 exemplos concretos e o que cada um revela sobre como o mercado decide.
Posicionamento é mais fácil de entender com exemplo do que com definição.
A teoria diz que posicionamento é a posição que uma marca ocupa na mente do consumidor. Certo. Mas o que isso significa na prática, no dia a dia de um negócio, numa negociação real?
Cinco exemplos concretos mostram melhor do que qualquer explicação.
1. O escritório de advocacia que não negocia honorários
Tem escritório de advocacia que atende qualquer cliente, qualifica pelo tipo de caso, cobra por hora e negocia quando o cliente empurra.
Tem escritório que só atende empresas acima de um determinado faturamento, cobra por projeto fechado e não negocia. O cliente que pergunta o preço antes de entender o trabalho já foi repelido pelo próprio posicionamento.
Os dois entregam assessoria jurídica. O cliente que chega a cada um é completamente diferente. O que mudou foi o posicionamento, e o posicionamento mudou quem se sentiu chamado.
2. A academia que cobra três vezes mais do que a concorrente do mesmo bairro
Não é por causa dos equipamentos. Em geral, os equipamentos são comparáveis.
É por causa do que a academia comunica antes de qualquer matrícula. A experiência de entrar, o atendimento inicial, a forma como os espaços são organizados, o tipo de cliente que já está lá. Tudo isso instala uma percepção antes do preço aparecer.
Quando o preço aparece, ele confirma o que o cliente já percebeu. Ele não compara com a academia mais barata porque não está buscando a mesma coisa.
3. O freelancer que fecha projeto sem mandar proposta formal
Existe uma versão de freelancer que manda proposta, aguarda resposta, segue up, negocia, ajusta escopo e às vezes perde mesmo assim.
Existe outra versão que o cliente encontra pelo conteúdo, pelo portfólio ou pela indicação já convencido. A conversa existe para confirmar o que ele já decidiu.
A diferença não é sorte. É posicionamento. O segundo construiu uma percepção de autoridade antes do contato. O cliente chegou com o trabalho já feito.
4. O produto mais caro da prateleira que some primeiro
Em qualquer categoria com opções de preço variado, existe um fenômeno recorrente: o produto mais caro muitas vezes tem giro maior do que o intermediário.
Não porque as pessoas têm mais dinheiro. Porque o posicionamento do produto mais caro resolve uma dúvida que o intermediário não resolve: qual é o melhor? Quando o cliente quer o melhor e não quer errar, ele pega o mais caro porque o preço funciona como sinal de qualidade.
O posicionamento de preço premium, quando sustentado por percepção adequada, não reduz o mercado. Seleciona o cliente.
5. A empresa local que compete com multinacional sem perder cliente
Existe empresa pequena que compete com players grandes e perde por preço toda semana. E existe empresa pequena que compete com players grandes e fecha projetos que as multinacionais não conseguem.
A diferença quase sempre está no posicionamento. A empresa grande vende escala e estrutura. A empresa pequena que sabe se posicionar vende atenção, personalização e velocidade de resposta. Ela não compete no mesmo terreno. Ela ocupa um território diferente.
O cliente que quer o que a empresa grande oferece vai pra empresa grande. O que quer o que ela oferece vai até ela. Sem disputa.
O que esses exemplos têm em comum
Nenhum deles compete por preço. Todos instalaram uma percepção antes da conversa começar. E essa percepção define quem chega, com qual expectativa e com qual disposição para pagar.
Posicionamento não é o que você fala sobre si mesmo. É o que o mercado pensa antes de você falar qualquer coisa.
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